quinta-feira, 21 de maio de 2015

João Lustoza

Dom Alfredo Schaffler redige carta em referência ao Ano da Paz

Em sintonia com o Ano da Paz Dom Alfredo Schaffler, Bispo da Diocese de Parnaíba, redigiu uma carta endereçada a todos os cristãos relatando a importância de termos paz. Na carta Dom Alfredo traz varias reflexões de como se alcançar a paz e a partir dela construir uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Segue abaixo o teor da Carta:

Saúdo fraternalmente a todos os fiéis da nossa Diocese, saúdo os padres e religiosos (as), consagrados nas novas comunidades, saúdo todo povo de Deus.

A fraternidade é uma dimensão essencial do homem. Ser irmão e irmã é próprio da pessoa humana. Como pessoas humanas, desejamos todos a paz e a harmonia na nossa convivência familiar e social. A Cultura da Paz e da Cidadania está relacionada ao tema da segurança como uma questão sociopolítica que envolve a todos. Nenhum membro da sociedade organizada deve ser excluído do processo de construção de uma sociedade mais justa, fraterna e segura ou eximir-se de sua responsabilidade no processo de construção da paz social.

Impressiona-nos a triste realidade das guerras que acontecem em tantas partes do mundo com números elevados de vítimas fatais. Mas não está na hora de olhar os números de homicídios que estão acontecendo nesta nossa querida terra da Santa Cruz? Nos últimos 30 anos tivemos um aumento de 259% de homicídios. No ano de 2013 aconteceram 50.806 vítimas de homicídios dolosos no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 11% dos assassinatos do mundo acontecem no Brasil onde uma pessoa é morta a cada dez minutos. Além disso, foram registrados no mesmo ano 50.320 casos de estupro. Quase o mesmo número de vítimas fatais foram registradas pelos acidentes no trânsito.

Diante desta realidade no nosso país, a Conferência dos Bispos do Brasil convocou os brasileiros para um ANO DE PAZ.

Além da violência a dizimar a vida de milhares de brasileiros todos os anos, percebemos outras formas geradoras da violência. Não estamos tomando quase diariamente conhecimento de corrupção em Empresas estatais, desvios de verbas públicas e outros crimes do colarinho branco alimentados pela impunidade de seus agentes que não sabem de nada e não querem assumir a responsabilidade?

Como lembra o Papa Francisco: “o anseio de uma vida plena contém uma aspiração, irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em que não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar.

”No silêncio das nossas famílias não acontecem atos de violência?

Será que não existem em tantas cidades de nossa Diocese “bocas de fumo” conhecidos pela larga maioria da população, e os que são responsáveis será que não sabem?

A paz é um valor e um dever universal e encontra seu fundamento na ordem racional e moral da sociedade que tem as suas raízes no próprio Deus. A paz é fruto do amor. Por isso a vivência do amor pode reverter esta situação. “O amor faz com que o homem se realize através do dom sincero de si, amar significa dar e receber aquilo que não se pode comprar nem vender, mas apenas livre e reciprocamente oferecer.” São João Paulo II.

São João XXIII nos fala: “Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra”. Será que isso não continua atual para nossa convivência humana?

A Igreja trabalha pela paz com a oração. A oração abre o coração não só a uma profunda relação com Deus, como também ao encontro com o próximo sob o signo do respeito, da confiança, da compreensão, da estima e do amor.

Novamente o Papa Francisco nos fala: “o verdadeiro construtor da paz é aquele que faz o primeiro passo em direção ao outro, que sabe pedir desculpa, o que não é fraqueza, mas uma força de paz.”

“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” Mt 5,9

Assim convocamos todas as nossas comunidades paroquiais, afim de que o tema da Paz seja incentivado nas mais diversas atividades pastorais, especialmente nos festejos que estão sendo celebrados.Junto com a CNBB queremos orientar que no dia 04 de outubro, festa de São Francisco de Assis, arauto da paz, seja realizada uma Caminhada pela Paz em todas as comunidades paroquiais, nas cidades e no interior. Todas as comunidades devem realizar uma caminhada demonstrando que a paz é possível. Com cartazes, lenços brancos e roupa branca vamos juntos proclamar que somos filhos da Paz.

Com São Paulo que escreveu aos Efésios digo: “Para os irmãos, paz, amor e fé da parte de Deus Pai e Nosso Senhor Jesus Cristo”. ( Ef 6,23)

Na festa da Ascenção de Nosso Senhor de 2015.
+ Alfredo – bispo de Parnaíba

Via CNBB Regional Nordeste 4

João Lustoza

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